As
vezes me pego a pensar sobre as coisas importantes e fundamentais da
vida cristã. Nos envolvemos com muitas teorias sobre a operação de Deus
em nós, por nós e através de nós. Criamos situações para que o nosso
relacionamento com Deus fique mais visível aos outros enquanto
fantaziamos e as vezes até fanatizamos nossa relação com Ele. Queremos
um Deus criado a nossa imagem e semelhança, cheio de "poder" para
atender de imediato nossas exigencias. Nos colocamos no lugar do Senhor,
e colocamos o Senhor em nosso lugar. Mandamos, ordenamos, exigimos
e determinamos que Ele, o Todo Poderoso realize todas as nossas vontades
e as vontades daqueles a quem queremos impresionar. Em nossa concepção
de um deus criado por nós, segundo nossos desejos carnais, vemos a
operação do fantástico, do incrível, do espetacular, do show, daquilo
que se pode ver e tocar. O mais incrível de tudo isso é que a Palavra de
Deus pregada já não faz mais sentido para nós. Se não houver algum tipo
de manifestação durante o culto, Deus não está naquele lugar (Igreja).
Assim, estamos cada vez mais nos afastando da simplicidade do
Evangelho de Cristo.
Esta
simplicidade do Evangelho nos remete aquilo que realmente importa -
viver a vontade de Deus. Quando Jesus Cristo se manifestou nesta terra
as pessoas custaram a acreditar nele e em sua mensagem devido a sua
simplicidade como pessoa: "...não tinha aparência nem
formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era
desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe
o que é padecer; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era
desprezado, e dele não fizemos caso." (Is 53.2b,3). Sua mensagem era encantadoramente simples: "Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros." (v.11)
Que tipo de mensagem é essa que nos remete aos relacionamentos pessoais
e interpessoais? Qual o propósito desta mensagem pregada e anunciada
por Jesus desde o princípio? Aqui, não vemos Jesus nos prometer riquesas
ou algum tipo de poder sobrenatural, ou alguma capacidade especial para
imprecionar pessoas. Jesus, simplesmente está querendo dizer que o
verdadeiro poder está em "amarmos uns aos outros". Não com amor fingido,
mas com amor real, verdadeiro, sincero.
O apóstolo João compara o amor fingido na mesma proporção da inveja e do ciúme que se abateu sobre Caim, "que era do Maligno e assassinou a seu irmão." Porque Caím assassinou a seu irmão? "Porque as suas obras eram más e as de seu irmão, justas." (v.12)
Em outras palavras, a falta do verdadeiro amor ao próximo leva-nos
a inveja, ao ciúmes, e nossas obras se tornam más. É por isso que o
mundo nos odeia (v.13). O cristão não anda segundo os padrões do mundo.
No mundo paga-se o mal com a mesma moéda, é a lei do olho por olho,
dente por dente. Isso é falta de amor e contrário ao mandamento que
o Senhor nos deu - amar uns aos outros.
Quando
Jesus nos regenerou, saímos de um estado de morte espiritual para um
estado de vida. Isto quer dizer que nosso estado de desobediencia a Deus
através da prática do pecado se reverteu em uma nova vida de obediencia
através de uma transformação completa. Aquele cuja vida não foi mudada,
ainda continua na morte. Em nossa condição de morte não conseguimos
amar ninguém com amor sincero. Nosso amor é fingido, enganador, falso e
sem valor. Quando o Espírito de Deus nos convence de nosso erro,
passamos da morte para a vida e nosso amor passa a ser sincero, fiel e
verdadeiro para com as pessoas. "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte" (v.14)
A questão do amor é tratada de forma tão séria na Bíblia que "...aquele que odeia a seu irmão é considerado, assassino" (v.15a).
Nutrir no coração raiz de amargura, ódio, raiva e falta de perdão e
amor, torna-nos, diante de Deus, assasinos. O assassino, diz as
Escrituras: "...não tem a vida eterna em si." (v.15b).
Seguindo o exemplo do próprio Cristo que deu a sua vida por nós,
devemos dar nossa vida pelos irmãos no sentido de não permitir que um
irmão passe alguma privação ou necessidade. "Nisto
conhecemos o amor: Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa
vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a
seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode
permanecer nele o amor de Deus?" (vs.16,17). O verdadeiro amor cristão é um amor de prática, é um amor de serviço ao próximo. "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (v.18).
Não conhecemos que uma pessoa
pertença a verdade ou a Deus pelo fato de coisas extraordinárias e
incríveis acontecerem por seu intermédio, mas sim, pelo fato da
capacidade dada por Deus as pessoas de amarem incondicionalmente os
outros. "E nisto conhecemos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizemos o nosso coração." (v.19).
Em Cristo,
Pr. Gilberto de Souza



Eu poderia copiar esse artigo.
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