sábado, 29 de setembro de 2012

O Amor aos Irmãos

Texto: I João 3.11-24
As vezes me pego a pensar sobre as coisas importantes e fundamentais da vida cristã. Nos envolvemos com muitas teorias sobre a operação de Deus em nós, por nós e através de nós. Criamos situações para que o nosso relacionamento com Deus fique mais visível aos outros enquanto fantaziamos e as vezes até fanatizamos nossa relação com Ele. Queremos um Deus criado a nossa imagem e semelhança, cheio de "poder" para atender de imediato nossas exigencias. Nos colocamos no lugar do Senhor, e colocamos o Senhor  em nosso lugar. Mandamos, ordenamos, exigimos e determinamos que Ele, o Todo Poderoso realize todas as nossas vontades e as vontades daqueles a quem queremos impresionar. Em nossa concepção de um deus criado por nós, segundo nossos desejos carnais, vemos a operação do fantástico, do incrível, do espetacular, do show, daquilo que se pode ver e tocar. O mais incrível de tudo isso é que a Palavra de Deus pregada já não faz mais sentido para nós. Se não houver algum tipo de manifestação durante o culto,  Deus não está naquele lugar (Igreja).  Assim, estamos cada vez mais nos afastando da simplicidade do Evangelho de Cristo.
Esta simplicidade do Evangelho nos remete aquilo que realmente importa - viver a vontade de Deus. Quando Jesus Cristo se manifestou nesta terra as pessoas custaram a acreditar nele e em sua mensagem devido a sua simplicidade como pessoa:  "...não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso." (Is 53.2b,3). Sua mensagem era encantadoramente simples: "Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros." (v.11) Que tipo de mensagem é essa que nos remete aos relacionamentos pessoais e interpessoais? Qual o propósito desta mensagem pregada e anunciada por Jesus desde o princípio? Aqui, não vemos Jesus nos prometer riquesas ou algum tipo de poder sobrenatural, ou alguma capacidade especial para imprecionar pessoas. Jesus, simplesmente está querendo dizer que o verdadeiro poder está em "amarmos uns aos outros". Não com amor fingido, mas com amor real, verdadeiro, sincero.
O apóstolo João compara o amor fingido na mesma proporção da inveja e do ciúme que se abateu sobre Caim, "que era do Maligno e assassinou a seu irmão." Porque Caím assassinou a seu irmão? "Porque as suas obras eram más e as de seu irmão, justas." (v.12) Em outras palavras, a falta do verdadeiro amor ao próximo leva-nos a inveja, ao ciúmes, e nossas obras se tornam más. É por isso que o mundo nos odeia (v.13). O cristão não anda segundo os padrões do mundo. No mundo paga-se o mal com a mesma moéda, é a lei do olho por olho, dente por dente. Isso é falta de amor e contrário ao mandamento que o Senhor nos deu - amar uns aos outros. 
Quando Jesus nos regenerou, saímos de um estado de morte espiritual para um estado de vida. Isto quer dizer que nosso estado de desobediencia a Deus através da prática do pecado se reverteu em uma nova vida de obediencia através de uma transformação completa. Aquele cuja vida não foi mudada, ainda continua na morte. Em nossa condição de morte não conseguimos amar ninguém com amor sincero. Nosso amor é fingido, enganador, falso e sem valor. Quando o Espírito de Deus nos convence de nosso erro, passamos da morte para a vida e nosso amor passa a ser sincero, fiel e verdadeiro para com as pessoas. "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte" (v.14) 
A questão do amor é tratada de forma tão séria na Bíblia que "...aquele que odeia a seu irmão é considerado, assassino" (v.15a). Nutrir no coração raiz de amargura, ódio, raiva e falta de perdão e amor, torna-nos, diante de Deus, assasinos. O assassino, diz as Escrituras: "...não tem a vida eterna em si." (v.15b). Seguindo o exemplo do próprio Cristo que deu a sua vida por nós, devemos dar nossa vida pelos irmãos no sentido de não permitir que um irmão passe alguma privação ou necessidade. "Nisto conhecemos o amor: Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?" (vs.16,17). O verdadeiro amor cristão é um amor de prática, é um amor de serviço ao próximo. "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (v.18).
Não conhecemos que uma pessoa pertença a verdade ou a Deus pelo fato de coisas extraordinárias e incríveis acontecerem por seu intermédio, mas sim, pelo fato da capacidade dada por Deus as pessoas de amarem incondicionalmente os outros. "E nisto conhecemos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizemos o nosso coração." (v.19).
Em Cristo,
Pr. Gilberto de Souza

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