sábado, 29 de setembro de 2012

Autoridade Espiritual


Introdução
Em uma breve análise de Romanos 13 citado por Nee, vemos claramente a seguinte declaração do apóstolo Paulo: "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores". A que autoridades superiores o texto se refere? Segundo o próprio texto no versículo 1c, a todas "as autoridades que existem". No versículo 7 temos a exata confirmação deste fato "... a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra". Portanto, deveres morais, cívicos, sociais etc. É claro, não podemos esquecer que esta mesma regra é válida para o reino de Deus: "... É lícito pagar tributo a Cezar ou não?... Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt 22.17b e 21b).
Outra verdade que aprendemos com a Palavra de Deus, é que "... as autoridades que existem foram por Ele (Deus) instituídas" (v.1c). Podemos até inicialmente não entender esta declaração, mas cada vez que infligimos as leis impostas pelos homens, estamos desagradando a Deus "De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação" (v.2). Se somos imprudentes no trânsito, por exemplo, não respeitando as leis estabelecidas para o nosso próprio bem, podemos sofrer as conseqüências de uma punição severa pela transgressão da lei "Visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal" (v.4).

No campo religioso o que não faltam são idéias, convicções doutrinárias e auto-afirmações do tipo: "Nós seguimos fielmente a palavra de Deus". Por causa desse tipo de pensamento temos vivenciado em nossos dias o alvorecer de novas igrejas e denominações cujos líderes se autodenominam portadoras de uma verdade universal. Os líderes desta nova safra de igrejas têm arregimentado multidões após si.

A realidade é que mesmo não concordando com certas determinações, temos o dever diante de Deus de respeitar e conviver debaixo da submissão, desde que esta não contradiga a vontade de Deus. A submissão é agradável a Deus desde que as ordenanças (líderes) estejam sujeitas ao próprio Deus "Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem" (1Pe 2.13,14).

A autoridade está ligada inseparavelmente à vontade e querer de Deus. Quando Pedro e João foram presos por ocasião da cura de um coxo em Atos 3, sem saber o que fazer com eles o sinédrio "Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em nome de Jesus" ao passo que "Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não poderemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos" (Atos 4.18-20). Não podemos nos sujeitar a algo que não provem de Deus, isto é, não podemos nos sujeitar a algo que o próprio Deus não aprova. Uma das maiores lições que aprendemos da palavra de Deus é a Submissão. A palavra de Deus nos ensina a sermos submissos até mesmo quando nossos senhores, ou aqueles que exercem autoridade sobre nós forem maus para conosco: "Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrimento injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus" (1 Pe 2.18,19).

Obediência à vontade de Deus - a maior das exigências da Bíblia
É interessante quando o autor mostra que a maior exigência de Deus é a obediência; e isto está em conformidade com o texto do AT que diz: "... Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra?" (1Sm 15.22). Às vezes perdemos o foco do que realmente é primário em nossas vidas e nos prendemos ao secundário. Queremos receber autoridade de Deus, mas não queremos nos submeter a ela. Para que a autoridade se expresse é preciso que haja submissão. Se é preciso que haja submissão, o ego precisa ficar excluído [...] Isto só se torna possível quando alguém vive no Espírito. É a mais alta expressão da vontade de Deus. (p.15).

Certo ou errado está na mão de Deus
Entendo que a questão do certo e errado está na pessoa de Deus e não em nossas próprias convicções e verdades, porque o que pode ser verdade para mim, pode não o ser para outro. A pergunta é: nossa definição da verdade ou do certo e errado está baseada em que? Existem três formas de se chegar a uma verdade. A primeira forma é através do “achismo”, isto é, através daquilo que penso ser a verdade sem usar nenhum critério a não ser aquilo que acho ser o correto. A outra forma é através da “tradição”. É quando meus critérios estão baseados nas ‘verdades’ transmitidas a mim pelos meus antepassados. É o que acredito ser verdade ao passo que busquei esta verdade baseando-me no conhecimento de outros. Então é muito comum ouvir dizer: "minhas convicções de certo e errado estão baseadas no que aprendi desde menino". A ultima forma de se chegar à verdade é única e exclusivamente através da “revelação de Deus”. Quando nos baseamos no achismo e na tradição, por melhores que sejam nossas intenções, esbarramos sempre na falta do senso de obediência e na exaltação de nosso ego. O homem não pode ser governado pelo que ele acha e define a respeito do bem e o mal, mas deveria ser governado pelo Senhor Deus que conhece todas as coisas, e segundo a sua graça nos revela como viver em obediência e gratidão. A ação do homem não deve ser governada pelo conhecimento do bem ou do mal; deve ser motivada pelo senso de obediência [...] A obra da redenção é levar-nos de volta ao lugar onde encontramos o que é certo ou errado para nós - em Deus (p24).

A primeira lição que um obreiro tem de aprender é obediência à autoridade
Existem várias ordens e seguimentos doutrinários no mundo religioso. Dentre alguns deles, os protestantes, os reformados, os legalistas, os pentecostais, os da direita, os da esquerda, os tradicionais os liberais e assim por diante. Cada qual, trazendo em seu bojo doutrinário, leis, mandamentos, costumes etc. A maior parte destes seguimentos tem como regra de fé, conduta e prática, a palavra de Deus. O que difere umas das outras é a forma como cada uma interpreta as Escrituras Sagradas. O que fazer diante da diversidade cultural-religiosa? A palavra chave será sempre a mesma, "obediência". Obedecer mesmo não concordando com algum ponto, posição ou doutrina é agradável diante de Deus. Repito, desde que o ponto, posição ou doutrina não esteja contrariando a vontade e o querer de Deus em relação a vida eterna. A questão é a seguinte: "isto que não concordo, tem relevância eterna"? Isto é, isto que não concordo, vai me impedir de entrar no céu? Se a resposta for não, então, porque perder tempo com bobagens. Precisamos focar o que tem importância no reino de Deus, a obediência é uma delas; e não o que é secundário. Não deveríamos nos preocupar com o certo e o errado, com o bem ou o mal; antes, deveríamos saber quem é a autoridade sobre nós. Estamos obedecendo a doutrinas de homens; demônios ou a Deus? Se Deus não é apenas nosso Salvador, mas também nosso Senhor, Então estamos debaixo da maior autoridade que existe. Não há o que temer. Quando ficamos sabendo a quem devemos estar sujeitos, naturalmente encontramos nosso lugar no corpo. Quantos cristãos hoje em dia não têm a menor idéia do que seja submissão. È por isso que existe tanta confusão e desordem (p.26).
 
A igreja tem que obedecer a autoridade de Deus
Como obter autoridade de Deus quando a igreja negligencia a autoridade. É inconcebível que alguém com pretexto de santidade ou mesmo de conhecimento, saia da igreja levando consigo outros, movido pelo ódio pelo rancor e pelo simples fato de não conseguir obedecer à autoridade constituída por Deus na igreja. Temos que saber como obedecer na igreja. Não existe autoridade dentro da igreja que não exija obediência [...] Se a igreja falhar em permitir que a autoridade de Deus prevaleça dentro dela, o reino de Deus será desviado do seu alvo de cobrir a terra. A igreja é, portanto, o caminho para o reino; mas pode igualmente frustrar o reino (p. 70,71).
Os homens devem obedecer à autoridade delegada

As autoridades delegadas por Deus dizem respeito ao mundo, a família, a igreja. Ao mundo: "Todo homem seja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas" (Rm 13.1). A família: "Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois faze-lo é grato diante do Senhor" (Cl 3.18-20). A igreja: "Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros" (1Ts 5.12,13). Um Cristão deve ser sensível em dois pontos: para com o pecado e para com a autoridade. Mesmo quando dois irmãos se consultam mutuamente, embora cada irmão possa apresentar a sua opinião, só um deles toma a decisão final (p.83).

O elo entre a razão e o pensamento
Não podemos negar que o homem manifesta sua rebeldia não apenas em palavras e raciocínio, mas também em pensamentos. Palavras rebeldes brotam de um raciocínio rebelde, e o raciocínio por sua vez trama o pensamento. Portanto o pensamento é o fator central na rebeldia (p.123) Também temos que ter o cuidado de que expressar nosso pensamento e até mesmo verbaliza-lo não significa em regra geral rebeldia. Temos o direito e o dever de expressar nossos sentimentos e convicções sem que isto signifique estado de rebeldia. Lembremos as Escrituras que dizem: "Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais" (Ef 6.12). A rebeldia se caracteriza quando não obedecemos à vontade de Deus expressa em sua palavra. Quando obedecemos a Deus conseguimos obedecer aos homens, mas nem sempre quando obedecemos aos homens, estamos obedecendo a Deus. "Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o pensamento à obediência de Cristo e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão" (2Co 10.4-6). O homem gosta de edificar raciocínios como fortalezas à volta do seu pensamento, mas tais raciocínios têm de ser destruídos e o pensamento tem de ser cativo. As argumentações devem ser deixadas de lado, mas o pensamento tem que ser reconduzido (p.124).

Recapturando a mente cativa
Aquele que ainda não tomou conhecimento da autoridade geralmente aspira a ser conselheiro de Deus. Tal pessoa não tem os seus pensamentos recaptulados por Deus [...] Seus pensamentos jamais foram disciplinados, pois suas argumentações são tantas e tão incessantes. Temos de permitir que o Senhor faça em nós uma operação de corte, penetrando até que sejam todos tomados cativos por Deus e não nos atrevemos a livremente argumentar ou aconselhar. Agimos como se existissem duas pessoas no universo que são oniscientes: Deus e eu. Eu sou um conselheiro que sabe tudo! Tal atitude indica claramente que meus pensamentos precisam ser recapitulados, que não sei nada sobre a autoridade (p.127,128).
Jamais tente estabelecer sua própria autoridade
O que mais me impressiona na questão sobre autoridade é que ela sempre converge para o mesmo fim: A autoridade é constituída por Deus e não pelo homem. Não precisamos nos preocupar quando sabemos que nossa autoridade é delegada por Deus. Qualquer tentativa de se estabelecer como autoridade deve ser totalmente erradicada do nosso meio. Que Deus estabeleça sua autoridade; que nenhum homem o tente [...] Quando a autoridade que lhe foi delegada for testada, não faça nada. Não se apresse, não lute, não fale por si mesmo. As pessoas não estão se rebelando contra você, mas contra Deus. Pecam contra a autoridade de Deus, não contra a sua autoridade [...] se a sua autoridade é realmente de Deus, aqueles que se opõe encontrarão bloqueado seu caminho espiritual [...] o governo de Deus é um assunto seriíssimo! (p.155,156).
Considerações finais
Em resumo, o livro de Watchman Nee "Autoridade Espiritual", termina focado na questão da autoridade. Quem tem autoridade? Quem não tem? Quem delega autoridade é Deus e não o homem. Autoridade não é mandar, mas servir humildemente. Autoridade se conquista através de submissão. Submissão à vontade e querer de Deus em todos os sentidos da vida. A nossa submissão as autoridades constituídas, e, diga-se de passagem, constituídas por Deus, vai além do nosso próprio entendimento ou querer. A submissão às leis estabelecidas no mundo, os mandamentos, preceitos e doutrinas, desde que estejam em conformidade com o querer de Deus, precisam ser observados e obedecidos porque esta é a vontade de Deus. Portanto, quem tem pelo Senhor um amor verdadeiro, expressa-o por sua obediência à Palavra e a Sua vontade.

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