Não há quem não
conheça o provérbio popular, que diz que “o poder corrompe”. Alguns
acham que é uma bobagem criada pelo povão, outros que não é bem assim,
pois depende do caráter da pessoa e alguns outros afirmam que nada tem a
ver com a verdade. Mas a Ciência entrou em campo, para nos dar
uma resposta dentro dos rigores científicos, mesmo que desagrade a
muitos e surpreenda a uns poucos. Segundo os princípios
básicos da democracia criado lá longe na antiga Grécia e, na era moderna
completamente deturpada, ensina: é o governo do povo, para o povo e pelo povo. Paralelamente a este conceito, surge a ideia de poder.
O poder é uma das molas propulsoras da
humanidade. O homem busca o poder incessantemente. Poder da influência,
da sedução, do dinheiro, do amor, da cura, o poder pessoal, etc.
Quem tem o poder de decisão,
considera-se todo-poderoso a ponto de passar por cima de iguais e trair a
confiança das pessoas mais próximas “AMIGOS”.
Seria certo afirmar então que a partir
da tomada de posse de qualquer cargo (público ou privado) a ética é
posta de lado? Que o poder se torna tão arraigado, tão enraizado, que a
pessoa já não sabe mais o que é certo e o que é errado? A Posse do poder
tem gerado práticas contrárias aos princípios éticos: gera
desigualdades crescentes, gera injustiça, rompe laços de solidariedade.
Então, é correto afirmar que, para se conhecer uma pessoa de verdade,
deve-se dar poder a ela?
O que sei é que sem ética e moral, o conceito grego de democracia fica difícil de ser entendido e praticado.
ENTENDA A CIÊNCIA
O pesquisador americano Adam Galinsky, Ph.D. em psicologia social pela renomada Universidade de Princeton, diz
que o poder, na maioria das vezes, torna as pessoas mais corruptas,
gananciosas, mesquinhas e hipócritas e, em geral, muda-as para pior. A
experiência foi aplicada em forma de testes comportamentais a
voluntários. Os pesquisadores observaram que, nos testes aplicados, “os
poderosos não só trapaceavam mais, como se mostravam mais hipócritas ao
se desculpar por atitudes, que condenavam nos outros.” Como acontece na
vida real, tais sujeitos julgavam-se acima do bem e do mal, como se
certas regras comportamentais não dissessem respeito a eles.
Portanto, meus queridos leitores, abram os olhos, pois o poder corrompe sim. E não pensem que é só o poder de grande porte. Alguns
indivíduos há, que mesmo no posto de gerentes de departamentos,
representantes de comunidades, diretores de escolas, assessores de
políticos, síndicos, dirigentes de clubes, porteiros, médicos de
instituições públicas, portadores de diplomas de curso superior, etc.,
adotam uma postura de seres especiais, de uma espécie humana
diferenciada da comum. E pior, aqueles que ousam
questioná-los, para maior compreensão de determinado assunto, usando os
meios legais, são tidos como desrespeitosos, desequilibrados e
arrogantes. Sendo, até mesmo, intimidados por processos
judiciais, por estarem duvidando da honra alheia ou os desrespeitando no
exercício de suas funções. O que é uma piada bem conhecida em nosso
país.
Diz a pesquisa que, embora os “notáveis mais notáveis”
saibam que o poder os deixa no centro das atenções, pelo cargo ocupado,
psicologicamente sentem-se invisíveis e inacessíveis à qualquer forma
de punição. Coisa que não acontece às pessoas ditas comuns, que são
sempre penalizadas. Em muitos países, a impotência, as firulas ou a
morosidade da justiça acabam reforçando esse comportamento imoral dos “poderosos”, deixando-os “invisíveis”, para agirem impunemente.
O TESTE
Segundo o pesquisador Adam
Galinsky a melhor maneira de testar a identidade moral de um indivíduo é
dar poder a ele, pois, já se pode afirmar com absoluta certeza, que o
uso do poder provoca mudanças comportamentais nos indivíduos. E, ai meu
Deus, a maior transformação é a que os torna mesquinhos, corruptos e
hipócritas. De modo que tais figuras começam com pequenos deslizes e vão
afrouxando seus padrões éticos, ante a falta de cobrança e punição. Daí para se transformarem em um deus onipotente, onisciente e onipresente é um pulo. E voltamos ao politeísmo!
Quem pensa que os “dominantes”,
quando flagrados em seus delitos mostram-se envergonhados e
arrependidos (ver o histórico do ex-governador José Arruda) está
redondamente enganado. Primeiro porque eles já cometeram muitas
irregularidades, que não lhes trouxeram punição alguma e, segundo,
porque se julgam no direito de tê-las cometido, pois não se vêem como
cidadãos comuns, a quem cabe os rigores da lei. É o tal do “Você sabe com quem está falando?”.
A maioria das pessoas, quando fora
do poder, possui um tipo de comportamento, mas assim que se vê imbuída
de uma faísca de autoridade muda a conduta (Quem não conhece alguém
assim?). Essa maioria não apenas assume postura imoral, como se torna
ditadora e hipócrita, defendendo padrões rígidos de comportamentos para
os outros, mas que nunca dizem respeito a si. Vemos, na verdade, que
tais indivíduos trabalham, não pelo bem da coletividade, mas pelo bem
deles mesmos.
Adam Galinsky diz que a
melhor saída, para conter essa tendência humana de agir mal, quando se
encontra no poder, é fazer com que os “poderosos” tenham de prestar
contas. De modo que o combate à falta de ética, à imoralidade e à
arrogância do poder deva ser constante, exigindo-se processos decisórios
transparentes das pessoas, em qualquer que seja a função, que exerçam,
em nome de uma coletividade ou de um povo.
“Pessoas brilhantes falam sobre ideias, pessoas
medíocres falam sobre coisas, e pessoas pequenas falam sobre outras
pessoas.” Dick Corrigan
Fonte: Stress Positivo
Adaptado para o Blog Aconteceu Ipu.